Lanças

Home Acima Lanças Chuço

Lança com cruzeta em meia-lua, tradicionalmente considerada como sendo dos Farrapos. Acervo do Museu Histórico Nacional.

A lança aparece pela primeira vez como arma regulamentar em 1826, mas de forma limitada, quando uma tropa de mercenários alemães foi equipada com ela, apesar de se saber que a milícia do Rio Grande do Sul já empregava essas armas, típicas do equipamento de uso diário do gaúcho vaqueiro.

Com a Regência – e a profunda modificação na organização das tropas que ocorreu, “nacionalizando-se” a doutrina militar, a lança passou a ter um papel mais importante. Ao invés das tropas de Dragões - sempre preferidas pelos burocratas do período colonial - passou-se a incentivar, no Rio Grande do Sul, a formação e treinamento de tropas de cavalaria ligeira, organizadas à francesa, ou seja, os regimentos passaram a ser divididos em quatro esquadrões: um de atiradores (armados de clavinas) e três de lanceiros, dando à unidade um papel predominante de choque (mesmo os atiradores participariam das cargas, usando os sabres).

Lança de um manual de 1855, provavelmente do modelo de 1844. Observar a ausência de cruzeta e a bandeirola de duas cores (possivelmente vermelho e branco, cores nacionais da Polônia e que tradicionalmente eram usadas em lanças de diversos países). Esta bandeirola já não era regulamentar em 1850, contudo.

Não há muitas informações sobre o modelo usado, apesar de se saber que algumas armas foram importadas da Inglaterra (portanto, provavelmente seguindo um padrão semelhante ao adotado lá). Entretanto, a tradição indica que as lanças milicianas gaúchas tinham cruzetas em meia lua.  Apesar disso, a primeira imagem oficial que se conhece de uma lança, de um manual de 1855 e provavelmente referente ao modelo de 1844, mostra uma arma com ponta sem cruzeta alguma, do estilo Europeu.